Ontem, acordei estranhamente positiva, parecia demasiado feliz..., tanto que me passou pela cabeça que finalmente uma maioria de deputados iria tomar a única atitude responsável e eticamente correcta sobre a possibilidade de adopção de crianças, hipoteticamente, por todas as pessoas maiores de idade.
E assim fui trabalhar com aqueles pensamentos dentro de mim, como se soubesse que ira acontecer. Até me permiti brincar sobre a possibilidade de vir a ser talvez oficialmente mãe, ao que me declararam que me iriam oferecer uma fisga... [para "capturar" uma linda miúda que quisesse arranjar-se comigo para ficar grávida, porque eu estou velha demais].
Delírios à parte, assim que me sentei não resisti à tentação de espiolhar as noticias matutinas... Devia ter resistido, porque logo me pus a pensar que afinal o meu coração delirava como a minha mente.
E fui à minha vida, excepcionalmente muito activa durante a manhã. Nada de estar sentada a fazer refresh no facebook nem nos jornais online, nem nos sites dedicados aos interesses LGBT. Fui almoçar, perguntei se já se sabia o resultado - nada - confessei-me triste, porque ainda não seria desta: lamuriei-me cabisbaixa.
Voltei e assim que abri a primeira página do Público lá estava:
Portugal torna-se o quinto país a aprovar co-adopção por casais homossexuais
mas eu só realizei ao ler no lead: Diferença de cinco votos permite decisão surpreendente.
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| Do Perfil do Facebook do Miguel Vale de Almeira |
Porquê que esta vai ser uma lei incompleta e insiste numa discriminação incompreensível?
Ao invés de alargar a possibilidade de adopção a todos os casais do mesmo sexo, como previam as propostas do Bloco de Esquerda e dos "Verdes", o que o projecto de lei do PS prevê é que a paternidade ou a maternidade de um homossexual seja extensível ao seu cônjuge. Um cenário possível, segundo os socialistas: “Basta imaginar uma criança, educada por dois homens casados, até aos dez anos de idade, morrendo nessa data o pai biológico num acidente. Aquela criança, que não distingue a nenhum nível qualquer dos pais, não tem, no entanto, o mais ténue vínculo jurídico com o, para si, pai sobrevivente. Pode mesmo vir a ser arrancada dos seus braços pela família do pai falecido, mesmo que não tenha tido qualquer contacto com ela ao longo da sua vida”.
Ler o texto completo no Público
No mesmo dia, foram chumbados os projetos do BE e dos Verdes que além da co-adoção, procuravam garantir de uma forma mais global os direitos à parentalidade das pessoas LGBT, incluindo no acesso à candidatura à adoção e às técnicas de PMA (no caso do projeto do BE).
Ler mais no site das Famílias Arco-Iris
