Post escrito a 7 de Maio de 2013 e revisto,
cortado e recortado entre 8 e 22 de Maio
cortado e recortado entre 8 e 22 de Maio
Post publicado com a data de 8 de Maio,
só porque faz mais sentido estar no principio do blog...
só porque faz mais sentido estar no principio do blog...
Nos últimos tempos há uma palavra que me assalta os olhos nesse mesmo espelho onde me redescubro enrugada:
Desprendimento...
Ando há meses a digerir este novo e estranho sentir dentro de mim...
Sempre fui agarrada com unhas e dentes às minhas pessoas, às memórias, tendo pânico de as perder se não estivesse ligada a elas, coladas à pele - uma canseira... - aliás na verdade o que tinha tanto medo... tenho... tinha é de me perder de mim própria...
O problema sempre foi esse. Levo comigo na minha mochila típica da minha imagem, não apenas tudo o que cabe lá dentro e mais um par de botas, mas também carrego essas pessoas e essas memórias comigo: como se de água se tratasse: e se não a levasse tinha... tenho... tinha a certeza que morreria de sede.
- É agora ou nunca!
Ouvi-a a gritar comigo lá muito muito longe no topo de Portugal. Imagino-a a estrebuchar comigo... Apenas conversamos com letras que vão aparecendo em ecrãs de computadores, tablets ou telemóveis. Andamos nisto já lá vão uns anos... mas recentemente passou a ser muitas vezes.
- É agora ou nunca!
Esta frase paira sobre mim... porque bateu com um significado muito mais amplo para mim do que o que ela lhe queria dar.
A Páscoa é simbolicamente uma celebração de renascimento. Costumo ter estas crises de identidade no Natal ou no fim da Primavera.
Mas neste 2013 uma parte de mim morreu em Março e o que renasce é o que está a ser agora e o que será no futuro depende das decisões e vivências que acontecem neste momento em que escrevo estas palavras que estavam cá dentro presas. Tive de me mudar de "casa" para as libertar neste novo espaço.
O que renasce é tudo o que já era e mais algo que desconstruí dentro de mim recentemente.
Estou há muito tempo a desprender-me, a fazer vários lutos de espaços e de pessoas e de coisas.
Criar outro espaço online para publicar palavras permitirá, assim o espero, dar-me mais possibilidades de mudanças sem sentir alguma prisão à estrutura e aos leitores que me foram lendo durante anos. Algumas dessas pessoas não conheço, nem nunca conhecerei, existiram e deixarão de existir, porque foram sempre anónimas. Não serei muito difícil de encontrar, mas apenas se vierem à procura.
Não foi uma loucura de momento. Aconteceu-me, já me está a acontecer há muito, mas antes da Páscoa houve um rastilho que se acendeu dentro de mim: implodi e explodi. Fiquei de luto e agora refaço-me.
Uma estrutura emocional que considerava um dos mais importantes pilares da minha vida ruiu à frente dos meus olhos, ou aliás aparentemente esforçou-se para ruir à minha frente.
Os cobardes pura e simplesmente em vez de partirem serenos - Não! - Acendem os rastilhos e depois arranjam bodes expiatórios. Ela não me quer mais na vida dela. E portanto tudo fez para eu me pisgar e carregar as responsabilidades. Não, não aceito que me façam isso outra vez. Apesar do desgosto, sinto-me serena. Não quero na minha vida quem não me ouve o coração: Não quero mais disso e muito menos preciso disso. Acabou.
Aqui neste espaço, com raízes muito profundas no outro anterior, é lugar de outras oportunidades, de outras pessoas, de outras palavras.
Recomecei a desenhar e a pintar, que é uma forma de resolver o ruído. Tudo tem o seu tempo. E todas as respostas que precisamos vêm um dia de dentro de nós. Tudo o que precisamos chega de uma forma ou de outra.
Portanto, se passo muito tempo a desenhar não há tempo nem espaço para palavras escritas. Não há, nem precisa de haver. Tudo no seu tempo.
Também voltei a ler. Acho que durante muito tempo não conseguia escolher os livros, as histórias, os temas para mim, não me identificava com nada e tinha o espírito por demais invadido de pensamentos que não queria deixar ir. Agora com este silêncio interno de volta, leio sobre viagens que me ajudam a criar os meus próprios caminhos.
Itália deu-me a volta ao miolo em 2012 e voltou a dar já este ano. Aquelas viagens produziram umas convulsões. Esta última então... Não foi Itália, foi eu ter ficado comigo própria, com os meus botões, com os meus papeis, com as canetas e os pincéis.
Ainda bem.
Quando inventei de ir á capital italiana, numa viagem a sós comigo, tinha a esperança de estar a provocar-me uma intempérie. Aconteceu exactamente o que queria que tivesse acontecido: mudanças de dentro para fora: decisões, renovação de prazeres e vícios que estavam esquecidos, aos quais não me conseguia entregar: devorar livros, desenhar e pintar horas e horas, meditar na solidão interior...