11.5.13

Para a Sérvia desenhar... e viagem mental a partir daí...


O Zé está na Sérvia, a Su na Sérvia está, o chefe também e mais outros, todos na Sérvia, onde diz que eu ia adorar estar para muito desenhar.

Não preciso de ir para isso, porque vou desenhando por aí, onde calha, desde que me apeteça: nos últimos tempos tem-me apetecido muito.

Estava ali com os pensamentos neles, lá longe, deitada na varanda a olhar o Palácio da Pena - tão minúsculo como a borracha da ponta do meu lápis - a ler as minhas Time Out em atraso e a reflectir que não sei o que estou a fazer deitada na varanda a banhar-me do sol da manhã e a produzir vitamina D, quando podia ir caminhar ou biclar por aí fora: apanhar ar.

Mas ando muito caseira, muito leitora, muito desenhadora, muito ensonada e estranhamente dorminhoca (responsabilidade das especiais características de todos os químicos farmacêuticos que estou a deglutir, especialmente inventados para salvar uma data de gente desta época alergénica).

Mudei-me para esta nova "casa" para escrever, porque na outra deixei-me disso. Várias foram as razões: umas percebi-as, outras nem por isso.

No dia a seguir a designar a cara deste espaço escrevi 4000 palavras... 4 mil: são 7 páginas com espaço simples! Foi uma descarga adrenalínica a esvair-se pelos dedos. Escrevi no comboio, escrevi nos intervalos do workshop, escrevi no almoço do workshop, pisguei-me antes do workshop terminar e fui para o Café República teclar, teclar, teclar durante duas horas. Depois meti-me ao caminho e fui a pé de São Bento para a Cinemateca Portuguesa, não sem antes ir provar os novos gelados da geladaria (que eu até ao momento pensava que se escrevia gelataria...) italiana que há para ali numa das perpendiculares em frente à Assembleia da Republica - e que noutro post publico o nome e a foto da placa elegante azul cueca (não sabia que podia achar o azul cueca elegante, mas fiquei a saber...) - tenho preguiça de ir tratar disso agora.

Não me tendo bastado tudo o que já tinha escrito, sentei-me numa das esplanadas da rua da Cinemateca e escrevi mais, fui para o hall da Cinemateca e continuei a escrever. Senti-me num qualquer estranho estado de semi-demência, mas continuei naquilo durante a apresentação do filme e no fim, durante a discussão.

A meio desse momento de repente parei.

No dia seguinte, copiei todos os "post-its" que teclei no simpático teclado anexo ao meu nexuszinho (cujo enredo da decisão de compra é outra história de quase três anos para contar) e passei para um ficheiro de word. Foi assim que descobri as 4000 palavras escritas.

Continuo a achar que tive um ataque demente só explicado pela falta que sentia de teclar, teclar sem parar. Agora tenho de me dedicar às artes de curtar tudo aquilo, dar sentido a frases - que tenho a certeza: nem eu perceberei - e publicar em vários posts ao longo do tempo. Estava a precisar desesperadamente de prestar contas a mim própria, fazer mais um dos meus balanços de vida.