26.5.13

Sou tanto... apaixonada, múltipla, complexa... aparentemente aleatória e às vezes delirante...

Post escrito a 7 de Maio de 2013 e revisto,
cortado e recortado entre 8 e 26 de Maio 


Estou na cinemateca... Vim desde São Bento a pé. Passei pela gelataria italiana, onde se fala Italiano de verdade e Português com sotaque e onde para já os sabores não me encantaram. Sinto falta do chocolate negro da Fragoleto.

Hoje aprendi muitas coisas novas - adoro aprender coisas novas, sentir-me invadida por novas ideias ou reformulação de ideias antigas, de ouvir sobre o que mais gosto para melhor arrumar os pensamentos. E já agora com uma pitada de humor para ser mais leve.

Estive num workshop de marketing cultural. Para não variar, entre as largas dezenas de pessoas presentes parece que só eu era de ciências exactas...

Se até os cientistas se esquecem que a ciência não pertence à cultura, ou pelo menos a divulgação científica que continua debaixo da alçada do ministério da educação e/ou ciência... Assim, a ciência  nunca mais lhe pertencerá intimamente.

Aproveito para me aproximar cada vez mais das artes e a afastar-me de assuntos científicos, para os quais ando sem paciência. Estou tão farta de cientistas e afins, das suas manias, dos seus vícios... da arrogância. Estou tão  cansada... Estarei mesmo num ponto de viragem...? Será mesmo este um o desprendimento?

Em menos de um mês duas pessoas comentaram que eu brilhava ao falar de desenho e pintura. E brilho. Sinto-me a brilhar por todos os lados como se estivesse apaixonada pela mulher mais doce e sorridente do planeta.

Sou mais de ter várias paixões ao mesmo tempo que não têm outro remédio senão aceitar o espaço e tempo de cada uma na minha mente agitada.

Pululo entre a ciência, a comunicação, o jornalismo, a comunicação, a biologia, a ecologia, a comunicação, o desenho, a ilustração, o esboço, as aguarelas e os lápis de cor. Até entre o realismo e o abstracto. Ando sempre a saltitar entre as minhas paixões. Tudo partilhado com o vício do teclar, que não me parece paixão, mas uma necessidade permanente. Aprendi a escrever demais, não só porque a seguir gosto de cortar por ali fora, como gosto de me exceder nas teclas, de carregar nas letras a uma velocidade cada vez maior e quase sem olhar.

Adoro o teclado do meu Asus velhinho. Não gosto do teclado do novo. As teclas são baixas demais, ou talvez sejam as molas... Não gosto muito do teclado bluetooth que arranjei para escrever no tablet. Vou-me adaptando aos botões minúsculos e à falta que me faz um Shift do lado direito. Tantas foram as vezes que teclei no PgUp... tantas foram as vezes que me enervei com isso. Gosto mais ou menos do teclado usb que ligo ao Asus novo quando o ligo a um ecrã ou quando o quero longe de mim... aquela máquina aquece por demais... que aborrecido... o outro Asusinho que foi para o meu avô é tão simpático...

No emaranhado de decisões e acontecimentos que povoaram a minha vida desde Março uma dessas decisões foi finalmente a aquisição de um tablet - andei mais de dois anos a comparar os e-readers da Sony com os Kindles e outros que tais. Sempre pensei que não iria comprar um tablet, mas como nunca mais aparece um computador com um ecrã e-ink - aparelho imaginado que povoa os meus melhores sonhos desde há muito - arranjei um nexuszinho, numa dessas promoções malucas, que me pareceu muito mais adequado ao meu dia-a-dia  Em menos de um mês já li dois livros completos de muitas centenas de páginas: em fundo cor de areia da praia de Carcavelos. Um deles em Inglês o que só de si é um feito. E vou no segundo livro, também em Inglês. Como estou feliz com estas leituras!

Um dia decido-me a escrever um blogue todo em Inglês... Isso sim, seria um tremendo feito e talvez significasse o desprendimento último: da língua materna.

Escrever no teclado bluetooth não é o mesmo. O meu primeiro asus que foi roubado tinha as teclas gastas... O mesmo aconteceu com o segundo, cujos restos estão semi-falecidos num armário da sala lá de casa.

O tablet só tem internet quando há rede wi-fi algures, o que me obriga a entreter-me com e-books e teclices ou a largar tudo e a desenhar. É tão bom contemplar o mundo.

Escrevi mais hoje (7 de Maio de 2013) do que nos últimos 3 meses... ou mais... Escrevo num programa de bloco de notas com fundo amarelo e linhas: a letra é redonda como a minha quando estou a escrever cuidada e lentamente.

Estou na cinemateca, vim de São Bento a pé, porque fui para Santos de Comboio. Não andava de comboio há muito tempo. É uma viagem bonita, serena: de Oeiras para Lisboa. Primeiro o mar, depois o rio, a ponte, os monumentos, Lisboa... É espiritual. Uma pessoa pode perder-se entre pensamentos olhando para todo o lado e para lado nenhum, para lá da janela com vistas para a água, esteja um sol radioso ou uma chuva medonha. A vista é sempre bela de perder de vista. As possibilidades de contemplação e deambulação do olhar são ilimitadas.

Continuo a escrever na sala... Espero pelo começo do filme sobre a passagem de judeus por Lisboa, em fuga para a América durante a II Guerra Mundial. Vim porque quero ouvir o Richard Zimler, norte-americano e português, autor  de vários romances históricos -  que devoro -  e figura histórica do movimento LGBT em Portugal, conjuntamente com o seu marido, Alexandre Quintanilha, conhecido cientista Português. São um dos casais mais emblemáticos que alguma vez conhecerei. Os dois cheios de carisma, muito diferentes entre si, muito parecidos também. Fascinantes!

Adorei escrever este post aparentemente aleatório...