Assim que sinto o negro a cair saltam-me palavras e imagens à mente.
A magnífica árvore que escolhi para deliciar as vistas: enorme, ostenta frondosa folhagem verde. Contemplo-a sem a desenhar. É grandiosa demais para a capturar para mim. Deixo-a ficar para voltar uma e outra vez a ela. Um dia talvez decida apropriar-me, torná-la minha.
A estátua dos pés gigantes de costas voltadas contempla o outro lado. Os pés, fotografo-lhe os pés numa outra visita. Nem chego a semicerrar os olhos e já imagino o traço da linha cega da escultura.
Assim, despudoradamente deitada na relva do Jardim de São Bento, como turista que sou da minha Lisboa, deitada na toalha cinzenta fina coçada pelo uso e viagens, durante quase uma hora usufruo do silêncio das formigas apressadas na terra ao meu lado, das aves lentas no calor, do passar vagaroso dos eléctricos com a pressa de um preguiçoso sábado quente. As pessoas?
Sinto uma tal serenidade que talvez me adormeça em breve, sob a inconsciência da presença de um possível larápio com o olho na bicicleta encostada à minha árvore.
Adoro sair de casa sem destino rumo às liberdades de decidir no momento. Percorro as ruas de Carcavelos até à praia, entro em Oeiras por um relvado onde os cães correm soltos. Sair de casa a contar com horas de exploração da inutilidade e da preguiça sábias para a contemplação das almas arbóreas, alfacinhas. Comboio, Tejo, pedalo bairros virados ao rio ao som do calor da manhã.
Os candeeiros gritam-me que os desenhe, tão estéticos assim posicionados geometricamente, mas viro-lhes as costas. Fotografo as fitas dos santos e as sombras. Arrumo-me. São horas de comer os mirtilos prometidos com uma limonada e hortelã frescas para me roubarem o calor do corpo enquanto espero as três da tarde.
Desenho objectos predilectos, perco-me nas horas.
Volto aos livros de viagens, namoro-os. Namoro o sossego e o fresco dentro de casa.
Regresso, Pedalo de São Bento à Cruz Quebrada no meu ritmo ao pôr-do-sol desaparecida de todas as obrigações da semana, como se estivessem longe de mim, embriagada por uma Harmonia que há muito não sentia.
Comboio, pedalo, adormeço no sofá de banho tomado enquanto é fresco...
Respiro...
Desenho objectos predilectos, perco-me nas horas.
Volto aos livros de viagens, namoro-os. Namoro o sossego e o fresco dentro de casa.
Regresso, Pedalo de São Bento à Cruz Quebrada no meu ritmo ao pôr-do-sol desaparecida de todas as obrigações da semana, como se estivessem longe de mim, embriagada por uma Harmonia que há muito não sentia.
Comboio, pedalo, adormeço no sofá de banho tomado enquanto é fresco...
Respiro...