Não me esmagou... não me chorou... mas mexeu-me. "Flores Raras" é um filme estético e poético, mas houve qualquer coisa que faltou para me tocar nas profundezas.
A Lota... nunca tinha ouvido falar de tal personagem histórica, nem que seja "apenas" da arquitectura brasileira, porque ou sou ignorante ou porque sou distraída ou porque: o machismo da época (feminino e masculino), a sua rebeldia inconveniente, o seu despudor, a sua frontalidade, a sua teimosia-egoísmo-egocentrismo desmesurados, e o facto de ser assumidamente lésbica - outro grande inconveniente para a sociedade da época... - , tiveram como consequências uma tentativa - Vã! - de a aniquilar da história do Mundo.
Antes mesmo de escavar nas profundezas dos googles, imagino que Lota é um@ d@s grandes arquitect@s paisagistas do século XX.
... em 2010, Lota de Macedo Soares completaria 100 anos, mas a data passou em brancas nuvens, não tendo merecido sequer uma revoada de balões coloridas no parque, sonho que ela concretizou e deixou como legado e patrimônio de todos nós.
A ler com a maior urgência: "Flores raras e banalíssimas: a história de Lota de Macedo Soares e Elizabeth Bishop" de Carmen Oliveira (1995).