8.9.13

Apanhadas a esplanar de mãos dadas


Tagarelávamos alegremente nem sei bem de quê. Talvez sobre as qualidades do gelado artesanal de morango, para lá de maravilhoso, com que nos banqueteávamos na esplanada com vistas para a praia e para o pôr-do-sol.

Estávamos de mãos dadas em cima da mesa, despudoradamente, como se fosse tudo normal: que é! Sem pensarmos no assunto.

De repente tenho a visão de um carro igual ao da minha mãe e de três pessoas lá dentro a acenar muito alegremente na nossa direcção... Ainda a refazer-me, declarei fingindo-me serena e tentando o humor para evitar o pânico: olha! São elas: enlouquecidas a dizerem-nos adeus! E nós de mão dada...

... e nós acenámos também, muito...

Passámos os últimos três dias a dormir no sótão com a minha mãe no andar de baixo. Estranhamente, ela não perguntou se a Isa precisava de lençóis de cama apesar de haver duas camas, nem de lençóis de banho... nem tampouco perguntou quem é a Isa... nem fez perguntas...

O que acham?

Ela não sabe que dormimos as duas na mesma cama, pois não? Nem lhe passa pela cabeça que dormimos juntinhas mesmo com calor, pois não...?

Estou agora a escrever isto na tal esplanada com outro pôr-do-sol e outros gelados de morango. Eu muito entretida no meu silêncio apimentado com as palavras no teclado e elas estão há mais de meia hora que não se calam uma com a outra...

O que acham? Ela não sabe...?

Nós também temos a certeza que ela está fartíssima de saber desde a primeira vez que nos viu juntas.