29.10.14

Eu também, conto o tempo assim...


"Conto o tempo que me falta para ter a idade que tinhas quando te perdi."

Não percebo profundamente os motivos de José Luís Peixoto, mas sei racionalizar bem os meus: conto o tempo para te vencer.

Tal como o pai dele está sempre em todos os seus livros, tu também estás na minha forma de viver todos os dias: anseio com uma angústia enorme vencer-te que é o mesmo que sentir que estou a vencer a Vida, provando a mim própria - e a mais ninguém - que quando respirar a última lufada sinta bem dentro de mim que vivi tudo o que consegui, mesmo nos dias em que não consigo respirar profundamente porque dói... Mas nos dias em que o ar leve me permite, renasço com uma força gigante vinda não sei bem de onde... imagino que seja dessa ânsia angustiada por Viver a Vida todos os minutos, ou pelo menos todos os dias de cada vez. Não viver assim não é coerente comigo... E nós temos que viver coerentes connosco próprios e não com o que os outros esperam de nós. 

Se calhar isto é tudo não verdades, baseadas no meu  preconceito de ti...

E há lá outra coisa que possa ter de ti sem ser preconceitos? Não nos conhecíamos, porque não deixaste (e eu também não) e isto é o possível. Mesmo que tudo sejam não verdades, eu vivo para renascer todos os dias e saborear os temperos dos detalhes minúsculos do que me rodeia, que Amo e que aprecio só para mim. 

De qualquer maneira, mesmo que morra agora já te Venci, porque vivo como Turista todos os dias a viajar pelo que está mesmo aqui ao lado.

Será uma maldição que sinta alívio pelo desaparecimento físico dos homens que me estiveram próximos? O outro morreu aos 35 anos há uns dias e o sentimento que me sobressai é alívio por saber que não há mais probabilidades de o encontrar mesmo à minha frente por aí... 

Só será maldição se eu deixar, não é...?

De qualquer forma, sinto que a morte de todos os homens que me estiveram próximos foi ou será um alívio em algum momento... A minha vida talvez devesse ser vivida para isso não acontecer, mas não me parece que o meu destino deixe de o ser... De um já desisti há muito, do outro... que Deus me dê forças, porque é o único homem que me resta... e eu sinto-me cada vez mais distante.

Isto é tudo muito irónico-trágico, porque a verdade que vislumbro é que as pessoas que mais me importam e que traíram mesmo a confiança são mulheres... sedutoras das mais variadas e disfarçadas formas, intrinsecamente e disfarçadamente invejosas, convenientemente omissas, manipuladoras e potencialmente muito perigosas... No topo do perigo está, claro, a minha mãe...

Para quê escrever um post cheio de dor? Porque a escrita só me serve para me resolver se é que estes casos alguma vez terão resolução...