3.5.15

Olhou os meus desenhos e as lágrimas escorreram pela cara...




Sentei-me no relvado do Out Jazz. Hoje em frente à Torre de Belém. Tinha um desenho urgente do tipo "encomenda" para enviar até ao final da noite... Tinha mesmo que o fazer e pronto.

Estava na minha luta com o papel... senti uma pessoa a aproximar-se. Era a mesma miúda que me tinha chamado a atenção e que estava em posição de meditação junto ao lago do Museu do Combatente...

Pediu-me para ver os meus desenhos. Passei-lhe o meu caderno "das pessoas". Sentou-se ao meu lado. Estava muito concentrada a desenhar e quando olho para ela estava mergulhada nas suas lágrimas soluçantes. Disse-me que adorava muito baixinho.

Comentei que quase nada na vida não tem solução...
- Não me queres contar o que se passa...?

Respondeu-me que sugava tudo de todos e que isso era muito desgastante.
- As pessoas não me compreendem.

Declarei-lhe firmemente que não era esse o meu caso. Numa tentativa de a aliviar informei-a convictamente que não nos permitirmos sugar pelas energias negativas dos outros é algo que se aprende com o tempo...

Perguntei-lhe se desenhava pessoas. A Sofia de 18 anos em lágrimas contou-me que desenhava pessoas no metro e que eram todas muito tristes e pesadas. Tentei convencê-la que se devia esforçar para procurar as pessoas que emanam energias positivas e mostrei-lhe os desenhos de que mais gostava no caderno, porque senti que aquelas pessoas eram positivas. Ao que ela pareceu concordar.

Ficou mais uns momentos comigo. Abraçou-me e deu-me um beijo na face.

Despediu-se declarando:
- Até ao próximo Out Jazz...

Eu ganhei o meu dia que foi mais um dos muito difíceis... Sinto que nunca mais verei a Isabel. Talvez a Vida ache isso bem. E eu... à beira dos 39 anos aguardo para que a Vida me confirme isso... ou não...

O resultado do meu desenho foi o espanto...