28.11.15

... terei visto a Luz? Parte I



Ontem tive um dia estranhíssimo...

Vi o nascer do sol no Cais das Colunas, em Lisboa, olhei e fotografei o Terreiro do Paço ao nascer do sol, tive uma reunião de 50 minutos na Rua Áurea (conhecida por Rua do Ouro) com a minha chefe Portuguesa de Espanha no banco, tivemos boas noticias de várias ordens e dimensão, ela foi à vida dela. Despedi-me para o lado oposto, declarando que ia tentar arranjar um sobretudo com mega descontos, para espanto dela, que não sabia que também havia black fridays em Portugal. Bati com o nariz na porta, porque faltava muito tempo para as 10h. Voltei a Oeiras, não saí de lá sem os papéis todos assinados e sem todos os assuntos em falta tratados. Eram 11h15. Despedi-me desejando um bom fim-de-semana... Eu tinha mais que tempo para voltar... mas eu sabia que não ia voltar.

Voltei, entreguei os papeis na Rua Áurea e prossegui em busca do tal sobretudo Black Friday de uma mega store começada por H ali para os lados da mesma rua. Consegui o sobretudo na secção pré-mamá, o mais pequeno dos tamanhos para pré-mamá serviu-me bem, mas a etiqueta não mencionava coisas de sextas-feiras especiais e baixa de preço, mas eu achei que a peça era tão rara para o meu tamanho e gosto que quis investir nela. Cheguei à caixa e tive 25% de desconto... Que bom! Informei a senhora que queria sair dali com ele vestido.

E lá fui eu...

Prossegui para o objectivo secreto seguinte: a exposição "A Luz de Lisboa" no Terreiro do Paço.   Tive um feeling que se não fosse a iria perder (termina em 20 de Dezembro de 2015). Tirei algumas fotos e fiz um desenho misturado com umas peças auto-coladas de um outro museu e de uma amiga para terminar e pintar em casa. Apreciei a luz maravilhosa de Lisboa, a entrar pelas janelas e a iluminar as peças, o meu corpo, a minha Vida, num dia de calor esplendoroso de Outono na capital à beira-rio. Os funcionários pediram ao segurança para me vir buscar e levar para baixo de elevador, porque se a subida pelas escadas tinha sido um horror, como seria a descida...? Tenho de pôr o pé "ao peito" todo o fim-de-semana com sacos de água quente e baldes de água quente com sal...

O objectivo secreto seguinte (que não sabia que tinha ao  amanhecer) foi partir em busca da black friday no cinema do Oeiras Parque. Não havia, mas a senhora aceitou o meu cartão profissional da universidade para me fazer desconto. Houve afinal Sexta especial tal como desejado! Vi o último 007. Não foi tão tonto como de costume  - não fossem aquelas cenas de explosões e carros e pessoas a voar por todo o lado ganharia muito, mas se não houver maluquices e gadgets não é 007. Talvez seja mesmo o melhor de sempre como já li por ali. Já vi todos os filmes.

Ainda houve duas lindas cenas a meio do filme que comprovam que aqueles comprimidos para evitar crises de pânico, e que tomo todos os dias desde há um mês, têm como efeito secundário o meu corpo não ficar calado quando se ofende.  Estava a gramar com aqueles anúncios do costume (horas naquilo...), entretanto começou aquela parte introdutória antes da música inicial e aquelas cenas do planeta 007... então não é que veio uma mulher por trás de mim, me deu 2 empurrões no ombro e disse para eu desligar isso (o telemóvel através do qual eu respondia a e-mails...). Desliguei de imediato acordando para a realidade, mas não sei responder alto e em bom som que ela escusava de ser bruta. Fiquei-me por ali (a chamar-lhe todos os impropérios que à minha mente lhe ocorreu. A dita criatura passou a primeira parte do filme a fazer comentários ao filme e eu a soprar para dentro. Assim que a segunda parte começou, continuou naquilo ao que eu libertei um CHIU para todo o cinema ouvir. O acompanhante dela largou uma gargalhada como quem diz bem feita... E ficámos por aqui mesmo. Foi quase sempre um sossego. A minha mente libertou-se e o filme correu giro até ao fim, sem aquela violência física e emocional tão forte de outros anteriores...

A caminho de casa vinha a pensar na minha tese e nos agradecimentos e nas dedicatórias. Tenho pensado muito nessas partes, porque elas têm que ser as únicas que no futuro irão realmente revelar-se a mim como profundamente importantes e relevantes na prática para o meu caminho profissional e nas dúvidas que me assolam constantemente.

Então, se eu sei desde antes sequer de começar a pensar em tese, há mais de três anos, que a dedicatória em "memória de" será a Jacques Yves Cousteau, não será na área de conhecimento que ele divulgou pela vida fora que eu tenho de procurar e palmilhar novos caminhos e encontrar-me comigo própria?

Agora calma, respira, primeiro tens que escrever a introdução, os métodos, os resultados, a discussão e talvez uma ou outra conclusão ou pelo menos umas palavras finais, compor a bibliografia e o índice segundo as regras, imprimir e entregar tudo. É muito muito trabalho pela frente.

Depois segues para o futuro, Rita!

Ontem foi um dia incrivelmente BELO o meu!