A mind map of the days OR because I have not stopped thinking about this and that yet... and I am always traveling beyond myself... always.
31.8.13
A estranha resistência a entrar de Férias
como se houvesse uma espécie de abandono... sentindo um peso pelo que ficou por fazer... Fica sempre algo mais que poderia ter sido deixado feito.
Entrei de férias há quase 30 minutos neste 30 de Agosto, mas não há meio de me ir embora... O momento foi "executado" quando o chefe veio cá e declarou: vê se descansas! Boas férias. E saiu porta fora.
São 16h25. Tenho tudo por arrumar. Lentamente, mordo uma das minhas maçãs verdes e só agora percebo que tenho de levar o meu saquinho da praxe ou quando voltar já estão no mínimo amarelas...
Porquê esta resistência? Será que é porque vou quando toda a gente está a voltar? No dia 9 o sítio estará novamente repleto de reuniões, telefonemas, programas de estatística abertos nos ecrãs com estranhos dados sobre as Coisas da Vida e das Células e dos Genes e do ADN e das proteínas, sobre o que não se vê, mas está lá e que nos faz Viver... ah e os e-mails oficiais e mais os gmails e mais os facebooks, os textos dos artigos, as referências bibliográficas e os powerpoints em preparação para os próximos congressos.
São 16h29 e só estou eu... talvez a saborear este silêncio só possível de voltar a reencontrar ao fim-de-semana e no próximo Verão... se estiver aqui no próximo Verão...
Em vez de visualizar estas mesas, esta janela cheia de sol que me ilumina e aquece demais, talvez devesse imaginar e interiorizar a capa do meu projecto de mestrado em cima da mesa do júri e a imaginar que a nota que vou ter vai abrir outras portas, ou pelo menos reflectir o quanto me vou divertir a fazê-la e a encher de orgulho a minha orientadora, que é também minha amiga há quase 20 anos... desde a primeira aula [de biologia celular] na faculdade.
A resistência reside no facto de saber que a partir do momento que sair aquela porta, tenho de entrar naquele mundo dos artigos, da pesquisa até às tantas da manhã, das tentações dos cigarros que desta vez não posso mesmo fumar, dos chás de cidreira mel para me aquecerem e adormecerem e das coca-colas para me manter acordada... E tenho de entrar naquele momento da Vida em que terei de enfrentar o pânico da possibilidade de envergonhar a Nucha..., porque é tanto mais do que isso: é minha testemunha da Vida.
São 16h53, entrarei de férias e irei para outro mundo sem regresso... talvez um mundo de todos os Sonhos que tenho tido tanto medo de sonhar para mim...
São 17h06, arrumei, limpei o pó e bebo agora um café.
Acabou-se o tempo da procrastinação e da resistência que durou tantos meses...
Tenho andado a arrastar-me neste sentir em vez de me ir divertir com as mais de 80 referências bibliográficas que já coleccionei, com as entrevistas que tenho de ir fazer e com as 50 páginas que tenho para escrever explicando um projecto tridimensional e criativo, mesmo à minha imagem e semelhança.
Por entre a visão da capa da tese, vejo-me dando aulas de desenho e pintura aqui e ali, a Namorar quando o Tempo nos permitir - e Nós também - e sorrio muito imaginando que a Vida vai no rumo que quero para mim...
